Automedicação – Os perigos do senso comum

A automedicação é um problema adormecido em Portugal. No entanto, muitos especialistas entendem que até se trata de um perigo à saúde pública, havendo uma procura intensa de vários tipos de medicamentos sem prescrição médica. 

Na nossa sociedade, é cada vez mais frequente cair na tentação de correr certos riscos para resolver problemas instantâneos sem perceber as consequências que isso pode despoletar.

dentista pediátrico

Mas afinal, o que é a automedicação?

A automedicação é a utilização de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), de forma consciente, para o alívio e tratamento de queixas de saúde passageiras e sem gravidade, com o aconselhamento opcional de um profissional de saúde.

Ou seja, ocorre quando alguém decide tratar-se através do seu conhecimento pessoal, podendo recorrer a conhecimentos de familiares ou amigos, assim como a crenças populares.

São várias as situações em que decidimos, erradamente, fazer um diagnóstico face a algumas complicações que possamos estar a sentir. As mais comuns ou frequentes, que motivam a automedicação, são

  • Tosse 
  • Resfriado comum e gripe 
  • Congestão nasal 
  • Febre 
  • Cefaleia 
  • Diarreia 
  • Má digestão 
  • Cólica abdominal

Para as situações já descritas, ou outras, maioritariamente acaba-se por consumir medicamentos tais como analgésicos, antipiréticos e anti-inflamatórios.

Indícios que influenciam o uso da automedicação?

Muitas vezes, olha-se para os medicamentos como a “solução para os nossos problemas”, o que ajudou a criar uma imagem de recuperação e obtenção de saúde imediata. Outro dado importante a destacar, é que a publicidade de medicamentos é meramente informativa e apenas presta indicações na sua generalidade. Ora veja algumas causas que remetem para o uso de medicamentos:

  • Grande variedade e disponibilidade de medicamentos;
  • Publicidade indiscriminada;
  • Qualidade da assistência de saúde, nomeadamente a dificuldade de acesso aos serviços públicos de saúde;
  • Venda livre de alguns medicamentos.
automedicação

Quais são os perigos da automedicação?

O mau uso e pouco informado de antibióticos pode levar a que algumas bactérias se tornem imunes a estes últimos. Desta forma, torna-se importante recorrer a outros antibióticos mais fortes e gera-se naturalmente uma resistência aos antibióticos, o que constitui um sério problema. Os perigos são reais, veja alguns: 

  • Podem anular efeitos de outra medicação que tenha sido prescrita
  • Possibilidade de intoxicação ou até dependência da substância
  • Duração inadequada do tratamento
  • Possibilidade de reações alérgicas
  • Possibilidade de aparecimento de efeitos secundários
  • Possíveis interações medicamentosas

Se já se tornou um hábito a automedicação, esteja ainda mais atento a estes grupos de risco:

  • Crianças: 

As crianças para além de estarem em fase de crescimento e desenvolvimento, são também mais sensíveis tendo um organismo menos resistente.

  • Idosos: 

Quer pela sua idade avançada, sobretudo no que toca à fragilidade física, deverá ser pouco corrente esta prática perigosa. Muitas vezes, estes indivíduos são carentes e passíveis a doenças graves, o que não ajuda no diagnóstico.

  • Grávidas: 

No caso das mulheres grávidas, a situação é ainda mais perigosa tendo em conta que se pode tornar num duplo problema. Sempre que sejam sujeitas a medicamentos, deverão consultar um médico ao invés de agirem sozinhas, para que não se coloque em risco a vida do feto de forma inconsciente.

Procure alternativas – 3 dicas para não se automedicar

“É só um brufen” – Nunca é só um, quer seja o brufen ou outro qualquer. A toma regular, associada ao facto de ser prejudicial para o nosso corpo (quando a toma é descontrolada), pode conduzir a problemas de dependência no futuro. Deve ser-se cauteloso e apenas tomar quando estritamente necessário.

Consulte um médico – Quando existe algum tipo de desconforto, o primeiro passo, e o mais importante, é procurar ajuda especializada. Os médicos estão habilitados e são os melhores conselheiros possíveis nestas situações. De ressalvar também que, contrariamente ao que se possa pensar, os farmacêuticos não estão habilitados para prestar este tipo de serviços.

Cuidado com o google – A internet não é a solução viável para os sintomas ou dúvidas que se possa ter. O google, ou outras plataformas, deve ser apenas informativo e elucidativo. A ideia de conseguir fazer um auto-diagnóstico pode ainda gerar um conflito entre o paciente e o médico. 

Existem medicamentos inofensivos? 

Os fármacos ou medicamentos que mais aparecem na prática da automedicação são aqueles que se destinam a combater as dores ligeiras e os estados febris ligeiros, os que tratam tosse e resfriados, estados gripais ou perturbações digestivas, como já foi mencionado. É importante que se tenha consciência de que não existem medicamentos completamente inofensivos e que os fármacos só devem ser tomados quando realmente necessitamos deles, isto é, quando um profissional de saúde os indica depois de um diagnóstico clínico da situação e do doente. 

Quando o seu farmacêutico lhe aconselha um medicamento para algum tipo de sintoma, por norma,  recomenda-lhe uma visita ao seu médico caso haja persistência ou agravamento dos sintomas.

automedicação medicamentos inofensivos

Armazenamento inadequado dos medicamentos

A gestão adequada e correta de medicamentos é importante para a sua saúde pessoal mas também para a de quem nos rodeia.

Os medicamentos possuem propriedades especiais que exigem um cuidado específico em todo o processo, permitindo, assim, que sejam levados até à sua aplicação no tratamento de pacientes. Além disso, é importante mencionar que existe uma legislação específica destinada a medicamentos, justamente para garantir o uso adequado deste tipo de bens.

Saiba agora como proceder de forma correta ao armazenamento: 

  • Evitar armazenamento de remédios na cozinha e na casa de banho, locais com risco de humidade e calor, alteram a qualidade do medicamento;
  • Locais de difícil acesso para as crianças, se for o caso.

De forma geral, e muitas vezes por ignorância, há muito pouca ou quase nenhuma consciência das consequências da automedicação. Quando nos sentimos mal ou temos um problema, é considerado um hábito normal tomar remédios que achamos que nos vão ajudar, sem mesmo verificar a composição da medicação, nem conhecer os efeitos colaterais desta no nosso corpo. O facto de ser um hábito tão comum na nossa sociedade faz com que muitas pessoas se automediquem sem ir ao médico.

Para concluir em chave de ouro, repare que ao automedicar-se está muitas vezes a gastar dinheiro duas vezes

1 – Primeiro com os medicamentos adquiridos sem prescrição

2 – Depois com a consulta e com os medicamentos prescritos pelo médico

Caso se identifique com alguma destas dinâmicas ou práticas no seu dia a dia, consulte o site doctorino e marque uma consulta com uns dos nossos médicos especialistas em saúde pública, eles irão oferecer todo o apoio e suporte que necessita neste momento.

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