Maria José Farinha
Conte-nos o seu percurso e a razão pela qual escolheu a sua especialidade.:

Mestre em Psicologia Clínica, pelo ISPA, a minha atividade divide-se entre uma unidade de saúde hospitalar e a clínica privada, com atendimento a adolescentes e adultos.

Através da psicologia clínica os pacientes ganham ferramentas que contribuem para a prevenção de comportamentos disruptivos e a reposição do equilíbrio emocional.

Que tratamentos realiza no seu dia-a-dia e qual o impacto nos seus pacientes?:

Cada paciente chega com as suas dúvidas, as suas angústias, as suas crises, os seus silêncios. Com o que não consegue verbalizar. Com o que não sabe que o inquieta. Com o que quer recuperar.

Com cada paciente faço um trabalho de equipa, no qual me cabe a tarefa de transformar e devolver o que anda perdido ou desorganizado. Ou o que precisa de ser reajustado e pensado de forma diferente. Mais profunda e elaboradamente. Com tempo e com a intersubjetividade inerente a cada momento.

Qual o seu principal target e que tratamentos têm mais procura?:

Trabalho essencialmente com adolescentes e adultos.

A adolescência constitui um desafio para pais e filhos. Sendo um período de elevado desenvolvimento psíquico e físico é também um período de dúvidas, de interferências externas, em que o grupo de pares passa a ter uma influência determinante e a comunicação entre pais e filhos se pode complexificar.

Os adultos têm também as suas especificidades, que podem variar entre a simples necessidade de maior auto conhecimento, uma depressão profunda, crises de ansiedade ou de ataques de pânico, dificuldades de auto regulação e também dificuldades a nível relacional.

Que alterações tem vindo a observar na sua atividade profissional ao longo do seu percurso (por exemplo, procura, necessidades dos pacientes, intervenção do digital)?:

Nos últimos meses tem-se verificado uma crescente procura de acompanhamento psicológico. Esta procura surge numa época em que vivemos diariamente com a incerteza e o desconhecido, o que levou à reativação de comportamentos existentes, embora adormecidos.

Nunca se falou tanto em saúde mental como no último ano, o que tem contribuído para desbloquear alguns mitos e até algum constrangimento que ainda se sente em relação à procura de ajuda psicológica. Nem sempre está tudo bem e não há mal nenhum em aceitar isso e recorrer ao trabalho especializado dos profissionais de saúde que cuidam do que não se vê e apenas se sente.

Em que medida o digital favorece o contacto e acompanhamento dos seus pacientes?:

A consulta presencial é a forma mais adequada de atendimento de um paciente.

No entanto, vivemos na era do digital e a possibilidade de atendermos os nossos pacientes com estas ferramentas é extremamente benéfica. Permite, essencialmente, evitar deslocações e acompanhar pacientes que estão fora da zona dos nossos consultórios.

Mas mais importante ainda, permite-nos trabalhar numa época em que a pandemia covid-19 alterou as nossas rotinas e inviabilizou o “face to face”.

 

Maria José Farinha

 

 

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