Maria João Ribeiro
Conte-nos o seu percurso e a razão pela qual escolheu a sua especialidade.:

Desde muito pequena que tinha um fascínio muito grande pela ciência e pelo ser humano. Ainda não era maior de idade quando comecei a colaborar com o BLV de Braga em vários projetos relacionados com crianças, nomeadamente através da CPCJ para dinamizar programas com crianças e jovens em risco, com o objetivo de desenvolver as minhas competências e aprender a conhecer o outro.

Ao longo de todo o meu percurso académico fui-me sempre direcionando para áreas relacionadas com a ciência e a saúde, acreditando sempre que a minha missão seria ajudar os outros. A compreensão do ser humano nos seus mais variados contextos era algo que me fascinava e acabei por enveredar pela psicologia. Sou Psicóloga Clínica (Nº cédula profissional: 22758) com o Mestrado Integrado na Universidade do Minho. Sou também portadora do Certificado Europeu de Psicologia, Europsy (PT-065331-202010) e sou formadora certificada pelo IEFP (F697597/2020).

Com uma tese na área da neuropsicologia, optei por estagiar no serviço de consulta da Universidade do Minho, no departamento de crianças e jovens. Em Lisboa tive oportunidade de integrar uma equipa multidisciplinar numa Junta de Freguesia e intervir durante alguns anos como psicóloga clínica com crianças e jovens. Mantive sempre a prática em contexto de consultório privado e, recentemente, de volta a Braga, exerço numa clínica em Braga e noutra em Esposende.

Que tratamentos realiza no seu dia-a-dia e qual o impacto nos seus pacientes?:

Com um foco especial no modelo Cognitivo-Comportamental, considero a minha prática clínica integrativa, no sentido em que procura conjugar de forma coerente técnicas de vários modelos teóricos, com o objectivo de adaptar a intervenção para que seja a mais adequada a cada pessoa. As técnicas que utilizo são, por isso, enquadradas nessa perspetiva, valorizando, acima de tudo, a importância da construção de uma relação terapeuta com o objetivo de promover a autoconsciência, a escolha e a integração do ser humano como um todo.

Qual o seu principal target e que tratamentos têm mais procura?:

Atualmente trabalho com adultos, jovens e crianças nas mais variadas áreas da intervenção clínica – Ansiedade, pânico, depressão, perturbações do sono, do foro alimentar, bullying, enurese (primária e secundária), ecoprese, problemas de comportamento, perturbação de défice de atenção e hiperatividade, competências parentais e divórcio.

Que alterações tem vindo a observar na sua atividade profissional ao longo do seu percurso (por exemplo, procura, necessidades dos pacientes, intervenção do digital)?:

Nos últimos 5 anos de prática clínica, tenho acompanhado a evolução de algumas problemáticas mais frequentes, associadas a grandes mudanças da atualidade, que têm uma influência direta na saúde mental dos indivíduos.

Como exemplo, o papel do trabalhador tem vindo a alterar consideravelmente ao longo dos anos nas organizações, a questão da emigração de jovens adultos foi, durante muito tempo, uma realidade, a alteração de paradigma nas questões da parentalidade, o aumento do isolamento como resposta à pandemia, a valorização da individualidade e do bem-estar, entre outros.

Todas estas questões, e outras, influenciam diretamente a problemática apresentada na prática clínica e, consequentemente, têm uma influência direta no foco da intervenção.

Em que medida o digital favorece o contacto e acompanhamento dos seus pacientes?:

Acredito que a intervenção presencial deverá ser sempre uma prioridade face à terapia assistida pelo modelo digital (teleconsulta). Não obstante, a acessibilidade de poder atender clientes de todo o País sem que estes tenham que se deslocar, o tempo perdido em transportes, o anonimato absoluto (uma vez que os clientes não são vistos a entrar no consultório, o que, para muitos, é um problema) e a facilidade de integração das consultas nas tarefas do dia-a-dia são, sem dúvida, uma mais valia.

Tenho vindo a atender em teleconsulta desde 2018 e a experiência tem sido bastante positiva.

 

Maria João Ribeiro

 

 

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