A 06 de março comemora-se o Dia Europeu da Terapia da Fala. Mas será que sabes exatamente para que serve a terapia da fala? Em que situações em que ela é útil? Em que casos é que ela é recomendada?

Vamos esclarecer todas as tuas dúvidas, explicando-te em que é que consiste este tipo de terapia e quais os casos em que ela é mesmo necessária.

Tens um filho/a de 2 anos que não fala? Então, considera a terapia da fala…

A terapia da fala apoia crianças e adultos que tenham problemas em comunicar. Mas sabia que ela também pode ajudar quem tem dificuldades em comer, beber ou engolir? No que respeita à linguagem, nas crianças, esta terapia pode mesmo ajudar a prevenir problemas de aprendizagem. 

Vocabulário reduzido para a idade, emissão ou troca de sons nas palavras, gaguez ou dificuldade em perceber o que é dito são, apenas, alguns dos sinais de alerta e que podem indiciar que a criança pode necessitar deste género de terapia. A terapia pode ter início antes mesmo da criança começar a falar.


Sinais de alerta

É comum dizer-se que cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento, o que é absolutamente verdade. Porém, tal não significa que não haja sinais de alerta aos quais devamos estar atentos e reagir em função desses indicadores. Por exemplo, um bebé que não reage a sons, nem vocaliza, deve ser examinado por um médico. 

Os sinais de alerta vão variando em função da idade da criança e dos marcos que é suposto ela ter alcançado em cada uma das etapas. Portanto, toma nota dos aspetos a que deves estar atento, em função da idade do teu filho/a.


Deves levar o teu filho/a a um terapeuta da fala, se…
  • aos 12 meses, ele/a não fizer gestos, como apontar ou acenar.
  • aos 18 meses, ele/a preferir os gestos às vocalizações para comunicar e/ou tiver dificuldade em imitar sons e em perceber ordens simples.
  • aos 2 anos, ele/a não disser frases ou palavras espontaneamente; usar apenas alguns sons e palavras de forma repetida; não seguir ordens simples; ou tiver um tom de voz rouco ou anasalado.

Causas

A origem dos problemas de fala podem estar associados à fisionomia da criança ou a problemas no cérebro.

O atraso na fala pode estar relacionado com complicações físicas, como freio da língua demasiado curto, por exemplo, ou com uma dificuldade de coordenação dos lábios, língua e maxilar. Nestes casos, também há habitualmente dificuldades em mastigar e em engolir. 

Contudo, importa alertar que os problemas de audição também podem estar associados a atrasos na fala e na linguagem.


Diagnóstico

O diagnóstico deste problema deve ser feito por um médico ou, logo, pelo terapeuta da fala. Só eles serão capazes de avaliar aspetos da fala, linguagem, comunicação e motricidade orofacial da criança. Nesse momento, são analisados aspetos como:

  • linguagem recetiva (o que percebe);
  • linguagem expressiva (o que diz);
  • outras formas de comunicação (gestos, apontar, etc.);
  • desenvolvimento do som;
  • clareza do discurso;
  • capacidade motora da boca.

Que mais devem os pais fazer?

Além de levares o teu filho/a ao médico/terapeuta, é importante aprenderes estratégias que ajudem o teu filho/a a ultrapassar os seus problemas no discurso ou na linguagem. Algumas dessas medidas são:

  • comunicar com a criança, falando, cantando e imitando sons e gestos;
  • ler, incentivando a criança a repetir os nomes das figuras ilustradas;
  • reforçar o discurso e linguagem nas atividades do quotidiano;
  • ter um discurso simples.

Nota: Usar com a criança um tipo de fala “à bebé” é prejudicial ao desenvolvimento da linguagem.


Os estudos evidenciam que tratar precocemente estas dificuldades na fala com terapia é a melhor abordagem para ultrapassar estes problemas e conseguir uma comunicação perfeita e adequada.

Portanto, se conheces alguma criança que corresponda ao perfil descrito, não hesites em marcar uma consulta para ela em doctorino.pt