Sabias que em caso de ataque de epilepsia não deves introduzir objetos na boca do doente? Nem puxar-lhe a língua?

Em 2020, o Dia Mundial da Epilepsia comemora-se a 10 de fevereiro. Esta é uma doença neurológica, caraterizada por episódios de convulsões. Essas convulsões têm origem numa alteração da atividade elétrica do cérebro que pode ter diversas causas.

Essa descarga pode acontecer em qualquer altura e tem uma duração curta (de segundos a 15 minutos, aproximadamente). As crises podem repetir-se ao longo da vida, variando a sua frequência de doente para doente.

Sofres ou conheces alguém que sofra de epilepsia? Então, este artigo é para ti!

A epilepsia afeta várias funções mentais e físicas e atinge cerca de 65 milhões de pessoas a nível mundial. Nos Estados Unidos da América, esta é mesmo a quarta doença neurológica mais comum. Já em Portugal, esta patologia afeta entre 40 a 70 mil habitantes. Esta doença costuma atingir ou pessoas muito novas, ou mais idosas.


Sintomas

As manifestações de epilepsia variam de paciente para paciente. As suas crises podem afetar a marcha, a face, as atividades específicas e o estado de consciência. Além disso, podem provocar movimentos automáticos despropositados (vestir ou despir, caminhar, mastigar ou engolir).

As convulsões podem ocorrer durante o sono e o paciente pode ou não estar consciente durante as crises. Os músculos podem ficar relaxados, contraídos ou ter movimentos espasmódicos. Toma nota de alguns dos seus sintomas mais comuns:

  • confusão temporária e/ou perda de consciência;
  • movimentos incontroláveis dos membros superiores e inferiores;
  • transtornos a nível dos sentidos (em particular da visão, audição e paladar);
  • perturbações de humor ou de outras funções cognitivas;
  • episódios de medo e ansiedade;
  • sensação de “déjà vu”;
  • olhar fixo entre 5 a 10 segundos;
  • perda súbita da força muscular com queda;
  • queda;
  • mordedura da língua ou bochecha;
  • rigidez muscular;
  • movimentos rítmicos de todo ou parte do corpo;
  • alterações da sensibilidade e dos sentidos;
  • perda de urina ou fezes.

Diagnóstico

O processo de diagnóstico passa pela avaliação da história clínica, do exame neurológico e da realização de análises laboratoriais ao paciente. O eletroencefalograma, a ressonância magnética e a tomografia computorizada são exames que ajudam a determinar as causas da epilepsia.


Causas 

As causas da epilepsia podem ser várias e, até, desconhecidas. Porém, há algumas circunstâncias que podem estar na origem deste problema de saúde, tais como:

  • falta de oxigénio durante o parto;
  • traumatismos cranianos durante o nascimento ou acidentes na adolescência ou fase adulta;
  • tumores cerebrais;
  • tendência genética resultante de lesões cerebrais, como por exemplo a esclerose tuberosa;
  • infeções como a meningite ou a encefalite;
  • acidente vascular cerebral (AVC) ou qualquer outro tipo de danos no cérebro;
  • níveis elevados de sódio ou açúcar no sangue.

Fatores de risco

Embora as causas da epilepsia sejam diversas, há fatores que podem potenciar este problema de saúde, tais como:

  • Stress;
  • Ansiedade;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Tabaco;
  • Alterações no ritmo de sono;
  • Cansaço;
  • Alterações na medicação em curso;
  • Estímulos muito intensos (luzes brilhantes, televisão, vídeo, computador);
  • Alterações hormonais, no caso das mulheres.

Tratamento

O tratamento é personalizado, tendo em consideração as causas da epilepsia e a idade do paciente, as características das crises, os fatores associados e o contexto social e profissional.

Além disso, há que ponderar os riscos do tratamento e os riscos das crises convulsivas. Muitos dos medicamentos antiepiléticos têm efeitos secundários. Alguns doentes, apenas precisam de um tipo de medicamentos, enquanto outros podem ter de combinar diversos fármacos. 

O tratamento começa sempre com uma dose reduzida e o seu propósito é apenas o de controlar o surgimento das convulsões. Além dos fármacos, há outros métodos possíveis, tais como: a dieta cetogénica (consumo de uma elevada porção de gordura, poucas proteínas e hidratos de carbono e uma eliminação total do açúcar), estimulação do nervo vago (implantação de um dispositivo sob a pele que estimula o nervo vago, controlando as crises) e cirurgia (remoção das áreas cerebrais responsáveis pelas descargas elétricas).


O que deves fazer em caso de crise
  • Ligar para o 112;
  • Protegeres o doente de um eventual perigo, durante a crise;
  • Manteres-te atento e acompanhares a situação ;
  • Teres calma;
  • Controlares a duração da crise;
  • Pôr o doente na posição lateral de segurança, após o fim da crise.

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O que NÃO deves fazer em caso de crise
  • Introduzir objetos na boca do doente;
  • Puxar a língua do paciente;
  • Tentar imobilizar a pessoa;
  • Dar de beber ao doente.

Se já tiveste um episódio de convulsão ou conheces alguém que já tenho tido, não hesites e marca já uma consulta de especialidade em doctorino.pt.