Percurso e a razão pela qual escolheu a sua especialidade.:

Mediar, interagir, agregar, ponderar, socializar, escutar, acolher, cuidar… tornaram-se desde de criança, uma necessidade na minha vida. Ser psicóloga clínica e da saúde, psicóloga comunitária e psicoterapeuta, foram as maneiras que encontrei ao longo da vida (desde 1997), para “profissionalizar” algo que naturalmente (ou pelas adversidades), sempre fiz.

Que tratamentos realiza no seu dia-a-dia e qual o impacto nos seus pacientes?

Trabalho com várias abordagens integrativas como o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) e o Brainspotting. O EMDR é um tratamento que usa os movimentos dos olhos para reprogramar o cérebro, acionando um mecanismo intrínseco de “Processamento Adaptativo de Informação”.

Esses movimentos parecem ativar o sistema nervoso parassimpático, auxiliando o indivíduo a dessensibilizar e integrar rapidamente experiências/memórias perturbadoras. Esse processo permite uma nova visualização do problema (reprocessamento), decorrente da reativação das regiões cognitivas do paciente.Utilizado inicialmente para tratar de traumas e os transtornos dele derivados, atualmente a abordagem E.M.D.R se aplica também no manejo da dor crónica.

O Brainspotting também pode ser utilizado para a instalação de recursos positivos e no aprimoramento do desempenho de profissionais, tais como atletas, cantores, etc.

Os clientes passam a ter um maior conhecimento e controlo de suas emoções e reações, maior autoestima e sentido de eficácia e isso os ajudam na tomada de decisões, bem como nos relacionamentos interpessoais, afetivos ter relacionamentos mais saudáveis e gratificantes.

Qual o seu principal target e que tratamentos têm mais procura?

Atuo sobretudo com jovens e adultos em todas as fases do desenvolvimento e também com vítimas de acidentes de trabalho, acidentes de viação, ou outras experiências de grande impacto físico e emocional.

Geralmente os clientes queixam-se de dificuldades na tomada de decisões importantes, ansiedade, irritabilidade, apatia, negativismo, dependência emocional, dificuldades nos relacionamentos interpessoais e sexuais, relações tóxicas, baixo rendimento académico ou profissional, problemas de sono, distúrbios alimentares, compulsão por jogos, medos diversos, pensamentos do tipo “intrusivos” (impossíveis de livrar-se), dores generalizadas ou crónica, etc.

Que alterações tem vindo a observar na sua atividade profissional ao longo do seu percurso (por exemplo, procura, necessidades dos pacientes, intervenção do digital)?

No decorrer desses 23 anos de profissão; parte deles atuando no Brasil e os últimos 15 em Portugal, os sintomas relacionados com quadros de depressão, ansiedade, dependência emocional e dificuldades nas relações interpessoais e sexuais são sempre os mais procurados.

Contudo, nesses últimos anos, noto uma maior demanda em relação aos quadros de ansiedade e depressão, além da dependência dos jogos e dificuldades de socialização, mesmo em adultos.

A procura pelo atendimento através das plataformas digitais têm crescido exponencialmente nos últimos, mas substancialmente agora na altura da Pandemia até mesmo os clientes mais resistentes aderiram e ficaram surpreendidos com os resultados igualmente eficazes.

Em que medida o digital favorece o contacto e acompanhamento dos seus pacientes?

Para alguns clientes, seja por questões de disponibilidade de tempo, limitações geográficas ou mesmo físicas, o atendimento online acaba por ser a melhor opção. Em relação ao terapeuta, existe uma maior flexibilidade em relação aos horários, sobretudo se for necessário atendimentos urgentes ou de emergência.

Na era da Covid-19 é a solução mais segura para os clientes que preferem estar na conforto do lar, expondo-se o menos possível a riscos desnecessários.

A minha comunicação com os clientes, seja para agendar ou remarcar horários e ou qualquer outra necessidade entre as sessões, é realizada maioritariamente através do WhatsApp, permitindo que tanto o cliente, como o terapeuta tenham mais proximidade, ainda que não sendo invasivos.

 

Ana Saladrigas

 

 

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